A IGREJA CATÓLICA NA IMPRENSA


07/09/2014


POLÍTICA

  • 'Igreja católica não tem

  • curral eleitoral', diz CNBB

  • REPORTAGEM DO JORNAL O ESTADÃO EM 07/09/2014.

Prestes a realizar um debate entre os candidatos à Presidência da República - o evento está marcado para o próximo dia 16 -, o secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Leonardo Steiner, afirma que a Igreja Católica "não tem curral eleitoral". O comentário alude ao ativismo político de pastores evangélicos como Silas Malafaia e Marco Feliciano, este último deputado federal que presidiu a Comissão de Direitos Humanos da Câmara em 2013. "Toda orientação é dada para que os padres não falem dentro das igrejas sobre candidatos", afirma.

D. Steiner diz, porém, que o fato de o País ter neste ano entre os favoritos para chegar ao Palácio do Planalto uma política evangélica que faz questão de ressaltar sua religiosidade - e é apoiada por Malafaia e Feliciano - não o preocupa. "As instituições nunca podem deixar de dialogar, independentemente de quem seja. Independentemente da fé que essas pessoas expressam", afirma, referindo-se à presidenciável do PSB, Marina Silva. 
O secretário-geral da CNBB critica, na verdade, os políticos que se aproximam dos templos apenas em época de eleição. "Igreja não é palanque", diz o líder católico. 

O candidato a vice-presidente da Marina Silva, Beto Albuquerque, disse que "nem a política deve mandar na religião, nem a religião na política". Como o senhor vê essas declarações? 

Quando falamos de Estado laico e de o Estado cuidar da religião, estamos falando da necessidade das pessoas terem a liberdade de expressar a sua fé. Agora, as pessoas que expressam a sua fé são cidadãos. E esses cidadãos devem ser ativos na sociedade para ajudar a construir a nação brasileira. Não existe Estado sem cidadão, porque as instituições só existem enquanto existem pessoas. A grande maioria dos brasileiros são pessoas de fé. A religião tem função muito importante, na questão dos critérios, dos valores essenciais, das relações mútuas. A religião tem elementos que podem ajudar a construir a sociedade e por isso também a política. 

A religião deve influenciar a política? 

O exercício da política acontece com as pessoas. A fé interfere na política da pessoa, no modo de fazer a política. Se interferisse mais, provavelmente não teríamos tanta corrupção. Não teríamos alianças às vezes espúrias. Estamos esquecendo que é a pessoa que faz a política, estamos colocando como duas coisas estanques: religião e política. Só existe religião porque existem pessoas, existe política porque existem pessoas, e esse elemento de fundo não se discute. A pessoa que não tem fé expressa de maneira diferente a sua política. 


Na opinião do senhor, a corrupção então está associada a uma falta de fé das pessoas? 

A uma falta de valores que a religião deveria dar. É só começar a campanha eleitoral que começam a surgir alguns "milagres", como os candidatos indo às igrejas para pedir votos, almoçando em restaurantes populares, visitando favelas. Isso é só marketing? 
Isso, se ocorre só na eleição, não é salutar para a política. Agora, naturalmente os candidatos precisam estar presentes, se mostrar... Igreja não é palanque, mas nós sabemos que muitos candidatos têm ido a eventos, não só agora, mas em outros momentos... 


O sr. comentou que a fé afeta a maneira de fazer política. A candidata do PSB, Marina Silva, por exemplo, lê a Bíblia para orientar a sua tomada de decisões. Essa é uma boa postura para um presidente da República? 

É uma boa postura na medida em que (um político) não obrigue ninguém a fazer (igual). Pode ser um bom exercício, quando alimenta a grandeza da própria fé. Sem desmerecer a análise da realidade, sem deixar de levar em consideração os conflitos sociais, a questão dos direitos, dos pobres, a educação para todos. 


Sem deixar de lado a racionalidade? 

A racionalidade, de novo, no sentido de conseguir dar a razão, não no sentido de ser frio. A gente poderia até falar no sentido, São Pedro fala, "dar as razões da fé", é conseguir perceber o fundo das questões. 


O fato de Marina Silva ser evangélica e ter grandes chances de se eleger presidente da República não vai afetar o relacionamento entre a Igreja Católica e o Palácio do Planalto? 

As instituições precisam dialogar. Como pessoas, representamos instituições. As instituições nunca podem deixar de dialogar, independentemente de quem seja. Independentemente da fé que essas pessoas expressam. 


O diálogo com a Marina já existe? 

Sim, como a gente tem diálogo com o Aécio (Neves), tínhamos um diálogo franco com o Eduardo Campos, como dialogamos com a presidente (Dilma Rousseff). O diálogo faz bem e principalmente porque representamos instituições que têm tarefa importante - ajudar a construir uma sociedade. 


Como o sr. vê a campanha política tratar de temas como legalização de drogas, aborto e casamento civil gay? Esse é um debate enriquecedor ou serve apenas para polarizar a sociedade e dividi-la entre conservadores e progressistas? 

Considero importante discutir esses temas, no sentido do cidadão saber o que os candidatos estão pensando. Seria prejudicial se, com as respostas, nós começássemos a criar determinadas imagens depreciativas, rótulos. Quando nós desejamos avaliar um candidato, nós não podemos avaliá-lo por uma proposta só, temos de avaliar pelas diversas propostas. 


As declarações dos pastores Marco Feliciano e Silas Malafaia nas redes sociais sempre ganham muita repercussão. A Igreja Católica tem adotado uma postura mais discreta no debate eleitoral? 

Não é tarefa nossa, nós não temos curral eleitoral. Inclusive toda orientação é dada para que os padres não falem dentro das igrejas sobre candidatos. A Igreja Católica tem posição no debate, tanto é que no dia 16 teremos debate da CNBB com os candidatos a presidente. 


A CNBB é uma das maiores defensoras da reforma política. As manifestações de junho conseguiram tirar os políticos da "zona de conforto" e convencê-los da importância do tema? 

Sem pressão da sociedade não acontecerá reforma política. Para a reforma política existe uma exigência muito grande: não se pode pensar em partido, é preciso ter um amor muito grande pelo Brasil. E mais: é preciso ter uma noção da grandeza da política. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Escrito por marcelosl64 às 10h41
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28/04/2013


TVs católicas Busca Mudanças

Com boa estrutura, TVs católicas lutam por maior audiência

Insatisfação com baixo número de espectadores tem levado igreja a discutir nova estratégia de comunicação

CNBB deve aprovar este ano documento com parâmetros para setor; canais discutem formas de colaboração entre si

FABIANO MAISONN do Site Folha On Line de 28/04/2013

Durante sete anos, o padre César Moreira foi comentarista do TJ Aparecida, telejornal exibido de segunda a sexta-feira, às 19h. Mesmo com tanta exposição, ele levou um susto recentemente, ao ser reconhecido enquanto andava pela avenida Angélica, região central de São Paulo.

"Somos nanicos", diz Moreira, que por 25 anos dirigiu a rádio Aparecida e, desde 2005, a TV Aparecida, uma das quatro redes de televisão católicas que disputam a atenção do espectador entre si e com emissoras seculares.

Depois de décadas priorizando o rádio, os católicos se voltaram à TV principalmente a partir dos anos 1990, época em que as igrejas pentecostais se tornaram mais visíveis por meio de uma presença agressiva na telinha.

Passados 18 anos desde que a Rede Vida entrou no ar como a primeira emissora católica de abrangência nacional, as emissoras já contam com boa infraestrutura e empregam centenas de profissionais, mas lutam para ampliar uma audiência estagnada em baixos índices.

A insatisfação com os resultados tem levado a igreja a discutir outra estratégia para a TV e também para outros meios, incluindo as redes sociais. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) deve aprovar neste ano um Diretório da Comunicação com parâmetros para o setor em discussão já há três anos. Hoje, só a igreja na Itália tem documento semelhante.

"Não somos profissionais na arte de comunicar", afirma dom Dimas Barbosa, responsável pela comunicação social da CNBB. "Em todos os níveis: começa já no som da igreja. Criar a cultura da comunicação talvez seja o nosso maior desafio."

Os principais canais de televisão católicos se preparam para oficializar em julho, durante a Jornada Mundial da Juventude, a Rede Católica de TV, a fim de aumentar a colaboração entre si.

Para a especialista em comunicação e religião Magali Cunha, da Universidade Metodista, o maior problema das TVs católicas é sua incapacidade de criar uma programação atraente.

"Há uma transposição para a TV da linguagem da igreja. Já as pentecostais nasceram midiáticas", compara.

Ela diz que o canal mais bem-sucedido é a Canção Nova. Ligado à Renovação Carismática, adota linguagem parecida à dos evangélicos.

Ela lembra que os "padres cantores", também carismáticos, atraem mais audiência.

Um deles, Reginaldo Manzotti, acaba de adotar uma estratégia comum entre pastores evangélicos: com ajuda de patrocinadores, passou, há quatro semanas, a transmitir seu programa "Evangeliza Show" aos domingos, na Rede TV!, ao meio-dia.

"A ideia é tentar atingir um público que ainda não fez experiência com Deus, um público diversificado. Eu uso o termo pescar em águas mais profundas'. Ir adiante. Acho perigoso a gente pescar no aquário, falar pro mesmo público, pra quem já tem feito a experiência de Deus", afirmou Manzotti, por telefone.

O padre, que mantém a TV Evangelizar, em Curitiba, e ganhou três discos de ouro, ressalva que é "muito positivo dar sustentação à fé" via meios católicos, mas se trata de um "público restrito".

Por outro lado, ele discorda de que os programas evangélicos sirvam de exemplo.

"A linguagem não é tanto o modo de falar, é questão de conteúdo. Eu poderia muito bem cair numa teologia da prosperidade, mas a Igreja Católica não pode ir nesse caminho em que, se você der um Fusca pra Deus, ele vai restituir com uma Mercedes."


Escrito por marcelosl64 às 12h10
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Padre polêmico de Bauru larga a batina

Padre que defende homossexualidade pede afastamento da Igreja

CRISTINA CAMARGO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM BAURU

Do Site Folha On Line


Conhecido por contestar os princípios morais conservadores da Igreja Católica, um padre de Bauru (329 km de SP) que havia sido formalmente repreendido pelo bispo local anunciou neste sábado que irá se afastar de suas funções religiosas.

Roberto Francisco Daniel, 48, conhecido como padre Beto, havia recebido um prazo até segunda-feira (29) do bispo diocesano, Dom Caetano Ferrari, 70, para se retratar e "confessar o erro" cometido em declarações divulgadas na internet. Em um vídeo, o padre admitiu a possibilidade de existir amor entre pessoas do mesmo sexo.

O bispo também determinou que as declarações fossem retiradas do site Youtube e das redes sociais.

Na manhã de hoje, o padre anunciou seu "desligamento do exercício dos ministérios sacerdotais" em entrevista coletiva no salão de festas do prédio onde mora.

O ultimato do bispo veio após a publicação de vídeos em que padre Beto questiona dogmas da Igreja Católica e afirma a possibilidade de existir amor entre pessoas do mesmo sexo, inclusive por parte de bissexuais que mantêm casamentos heterossexual. 

Ele também questionou os conceitos de fidelidade matrimonial, dizendo que casos extraconjugais não consistiam em traição se fossem "abertos".

As declarações provocaram reações de católicos tradicionais da comunidade de Bauru, que não aceitam a postura do padre.

Por outro lado, a ordem do bispo gerou manifestações de apoio ao religioso e provocou comoção entre frequentadores das missas e palestras do padre, que também escreve artigos em jornais, é autor de livros e apresenta um programa de rádio numa emissora local.

AFASTAMENTO

Ao anunciar seu afastamento da Igreja, o padre disse que não iria tirar nenhum material de seu site e das redes sociais e que não tem a quem pedir perdão e nem motivos para isso.

"Se refletir é um pecado, sempre fui e sempre serei um pecador", afirmou. "Quem disse que um dogma não pode ser discutido? Não consigo ser padre numa instituição que no momento não respeita a liberdade de expressão e reflexão".

Mesmo com o pedido de afastamento, Beto continua sacerdote, sem, no entanto, poder exercer os ministérios.

O padre não descarta a possibilidade de voltar, desde que a Igreja fique mais progressista. Afirmou que vai manter o celibato e poderá encontrar seus seguidores para reuniões de orações, sem que isso signifique a criação de uma nova religião.

ESTILO

Padre Beto sempre chamou a atenção dos católicos da cidade pelo estilo diferente dos religiosos tradicionais. Circula pela cidade vestindo camisetas com estampas "roqueiras" ou a imagem do guerrilheiro comunista Che Guevara. Usa piercing, anéis e frequenta choperias.

Formado em teologia pela universidade Ludwig-Maxilian de Munique, morou dez anos na Alemanha. Lá também fez doutorado em ética. Suas homílias progressistas lotam missas e criaram uma legião de fãs em Bauru.

Para anunciar sua decisão, escolheu uma camiseta que dizia "No Gracias". O religioso afirmou que se trata de um recado para a cúpula da igreja em Bauru, a quem não tem nada a agradecer.

O padre chamou de hipocrisia a manutenção de regras morais que não combinam com nossa época, como a proibição do uso de métodos anticoncepcionais.

Criticou a Igreja Católica também por "fechar os olhos" a problemas sociais e citou a situação de professores, policiais e aposentados que têm baixa remuneração. Falou ainda do sistema carcerário, definido como desumano e ridículo.

"A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) deveria bater de frente com o Congresso Nacional, que pega o nosso dinheiro e faz pouco", disse. "Deixo a igreja e permaneço com minha coerência".

O bispo de Bauru, que havia se referido a padre Beto como um "filho querido, mas rebelde", não comentou a decisão e as declarações do padre.

A assessoria de imprensa informou que isso só será feito quando o afastamento for comunicado oficialmente, na segunda-feira.

Padre Beto pretende se despedir em duas missas marcadas para este domingo. Um grupo de amigos postou nas redes sociais um convite à população para acompanhar a despedida.

Escrito por marcelosl64 às 11h55
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17/03/2013


ARTIGO PARA REFLEXÃO

 

É cedo para santificar o papa

 

Midia deslumbra-se com o argentino Francisco, que só teve tempo para definições espirituais

É compreensível que a massa de fiéis reunida na praça de São Pedro, durante a cerimônia fúnebre de João Paulo 2º, decretasse aos gritos: "Santo subito".

Afinal, o pontificado de João Paulo 2º durara 28 anos, tempo mais que suficiente para exibir ao mundo suas qualidades (defeitos também, mas, nessas horas, ninguém pensa em defeitos).

É um exagero, no entanto, a mídia, inclusive a do Vaticano, transformar o noticiário em torno do novo papa em culto à personalidade de Jorge Mario Bergoglio, como reproduzisse para ele o grito de "Santo subito" de oito anos atrás.

Cada detalhe de sua biografia e cada vírgula de suas palavras são apresentados em "odor de santidade", a fragrância que a tradição católica diz que emana dos santos.

Talvez o exagero se deva ao fato de que Bergoglio era um virtual desconhecido para o mundo, o que leva o jornalismo a procurar, em cada pequeno gesto e cada pequena fala, o rosto do novo pontificado.

Está sendo inútil até agora, a menos que se considere que a escolha do nome Francisco seja uma declaração de intenções, a de querer, como disse ontem, "uma igreja pobre, para os pobres". Não conheço um único religioso (ou político) que tenha defendido uma igreja (ou partido ou governo) para os ricos.

Entendo em todo o caso a carência de definições sobre a vasta e complexa agenda da igreja, que, segundo dom Cláudio Hummes, "precisa de uma reforma em todas as suas estruturas".

O papa explicou que "a igreja, embora sendo certamente também uma instituição humana, histórica, com tudo o que isso comporta, não tem uma natureza política, mas essencialmente espiritual".

Os mortais comuns aprendemos a lidar com a política, gostando ou não dela, mas o espiritual é para poucos escolhidos.

O problema é que temas essenciais da agenda da igreja, como o escândalo de pedofilia ou a polêmica em torno do casamento entre pessoas do mesmo sexo, são essencialmente humanos.

O papa precisará mesmo do odor de santidade para levar a cabo o que dom Cláudio definiu como "obra gigantesca" de renovação da igreja. Precisará também da coragem que lhe faltou durante a ditadura militar argentina, como depõe o prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel: "Não considero que Jorge Bergoglio tenha sido cúmplice da ditadura, mas creio que lhe faltou coragem para acompanhar nossa luta pelos direitos humanos nos momentos mais difíceis".

O passado, portanto, não permite sentir odor de santidade no novo papa, até porque santos se revelam exatamente nos momentos difíceis. No caso da Argentina, durante a ditadura, o que estava em jogo era condenar a barbárie, não calar-se.

Mas é hora de virar a página Bergoglio e abrir a página Francisco. O que começará a dar um rosto -santo ou não- ao novo papado serão as escolhas para os cargos vitais da Cúria, em especial a nomeação para a secretaria de Estado, o segundo cargo no Vaticano -escolha que será todo um programa de governo do novo papa e lhe dará (ou não) os primeiros "odores de santidade".

 

 

 

Escrito por marcelosl64 às 13h42
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16/03/2013


BASTIDORES DA ELEIÇÃO DO NOVO PAPA

 

ENTREVISTA D. CLÁUDIO HUMMES

A igreja não funciona mais, é preciso que seja reformada

Cardeal brasileiro mais próximo do papa, ele defende uma ampla mudança na estrutura católica, incluindo missas

ARTIGO RETIRADO DO JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO DE 15/03/2013.

FABIANO MAISONNAVEENVIADO ESPECIAL A ROMA


Apontado como o cardeal brasileiro mais próximo do novo papa, dom Cláudio Hummes, 78, diz que a igreja "não funciona" do jeito que está e pede mudanças em toda sua estrutura.

Na sua apresentação ao mundo, Francisco convidou dom Cláudio, arcebispo emérito de São Paulo, a ficar do seu lado no balcão da basílica de São Pedro.

Emocionado com o convite e com a homenagem ao fundador de sua ordem, o franciscano d. Cláudio disse à Folha que a escolha do nome é por si só uma encíclica.

O ex-bispo de Santo André disse ainda que as acusações de que o novo papa colaborou com a ditadura militar argentina são "grande equívoco, senão uma falsificação".

Folha O sr. foi convidado pelo papa Francisco a estar ao seu lado na primeira aparição. Como é a relação entre vocês?

D.Cláudio Hummes - Nós nos conhecemos de tantas oportunidades, porque fui arcebispo de São Paulo, e ele, arcebispo de Buenos Aires. Mas sobretudo foi em Aparecida (SP) onde estivemos mais tempo trabalhando juntos, na 5ª Conferência Latino-Americana, em 2007.

Existia ali a comissão da redação, a mais importante porque ali que se formulava o documento para depois ser votado. Ele era o presidente, e eu, um dos membros.

Admirei muito a sua sabedoria, serenidade, santidade divina, espiritualidade. Muito lúcido e muito pastoral, grande zelo missionário, de querer que a igreja seja mais evangelizadora, mais aberta.

Como foi o convite para estar no balcão?

Quando se começou a organizar a procissão da Capela Sistina para o balcão na praça, ele chamou o cardeal Vallini, que faz as vezes do bispo de Roma, o vigário da cidade, e me chamou também. Disse: "D.Cláudio, vem você também, fica comigo neste momento".

Disse até: "Busca o teu barrete [chapéu eclesiástico]", bem informalmente. Fui lá buscar o meu barrete e estava todo feliz....

Porque não é o costume, quem vai junto são os cerimonários, nunca tem cardeais com o papa, eles estão nos outros balcões.

E o fato de que ele nos convidou acabou rompendo um monte de rituais. Mas foi realmente, para mim, muito gratificante. E também pelo fato de ele ter escolhido o nome de Francisco.

Eu sou franciscano, então isso me envolvia muito pessoalmente.

O papa recusou a limusine, foi pagar a conta do hotel...

São gestos simples, mas que mostram quem ele é e como ele vê as coisas. A minha maravilha foi que esses gestos foram compreendidos pelo povo simples e pela mídia. A mídia também interpretou esplendidamente, entendeu as mensagens que o papa queria dizer.

Qual é o significado de ter um papa de fora da Europa depois de mais de mil anos e além disso latino-americano?

Os outros papas que não foram exatamente europeus vinham da região do Mediterrâneo. Nesse sentido, era a Europa da época, era uma grande realidade geopolítica.

Mas o fato de que hoje venha um papa de fora da Europa tem um significado muito grande porque mostra o que a igreja sempre tem dito: a igreja é universal, para a humanidade. Não é para a Europa.

Ter um papa é o sinal maior. É o gesto de dizer: o papa pode vir de qualquer parte do mundo.

Também acho importante que tenha vindo da periferia ainda pobre, emergente. Isso é uma confirmação para todos os católicos de lá: "Temos um papa que vem daqui".

São Francisco também é lembrado pela missão de reformar a igreja como um todo. A escolha do nome também tem essa abrangência?

Certamente, para o papa, o nome é todo esse programa. Hoje, a igreja precisa, de fato, de uma reforma em todas as suas estruturas. Organizar a vida da igreja, a Cúria Romana, de que tanto se falou e que precisa urgente e estruturalmente ser reformada, isso é pacífico entre nós.

Será uma obra gigantesca. Não porque seja uma estrutura gigantesca, mas por um mundo de dificuldades que há dentro de uma estrutura como essa, que foi crescendo nos últimos séculos.

Alguém disse já que a escolha do nome Francisco já é uma encíclica [mensagens do papa à igreja], não precisa nem escrever. Isso é muito bonito, é muito promissor.

Em que sentido a reforma é necessária?

Não é só da Cúria, são muitas outras coisas: o nosso jeito de fazer missa, de fazer evangelização, essa nova evangelização precisa de novos métodos. O papa falou no encontro com os cardeais sobre novos métodos.

Mas se falou sobretudo da Cúria Romana, que precisa ser reforçada estruturalmente. É muito grande, mas tudo isso precisa de um estudo, a gente não tem muitas coordenadas.

Muitos dizem que é grande demais, que foi feito um puxadinho aqui, um puxadinho lá, mais uma sala aqui, mais uma comissão lá, mas essa aqui não tem suficiente prestígio.... Essas coisas todas que acontecem numa estrutura dessas.

A igreja não funciona mais. Toda essa questão que aconteceu ultimamente mostra como ela não funciona. E depois, uma vez feito esse novo desenho, você tem de procurar as pessoas adaptadas para ocuparem esses cargos, esses serviços.

Reza a lenda de que o papa Francisco não gosta de vir a Roma, que sua formação foi longe daqui. Isso contribuiu para a sua escolha?

Não sei se contribui para a sua escolha, mas contribui agora, que ele é papa, a ser mais independente, a ser uma visão mais objetiva. É muito diferente ver um jogo da arquibancada e ver um jogo jogando futebol.

 

 

Escrito por marcelosl64 às 12h31
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BASTIDORES DA ELEIÇÃO DO NOVO PAPA

 

Pontífice teve mais de 90 votos, diz jornal italiano

DO SITE FOLHA DE SÃO PAULO

Segundo o jornal italiano "Corriere Della Sera", o papa Francisco teve no conclave mais de 90 dos 114 votos. Ele foi eleito na quinta votação.

Bergoglio teria sido escolhido por acordo entre entre os cardeais dos EUA e três italianos --Angelo Sodano, o decano do Colégio dos Cardeais, Giovanni Battista Re, que presidiu a eleição na Capela Sistina, e Tarcisio Bertone, o camerlengo do Vaticano ("interino" durante a transição).

O trio, muito poderoso na Cúria romana, considerava Bergoglio adequado para o cargo. Aos americanos, era importante ter um papa de fora da Europa.

O jornal aponta ainda que inicialmente Bertone preferia o brasileiro Odilo Scherer, mas que ele teria desistido --Scherer não seria apoiado pelo cardeal Re.

No texto, a jornalista Antonietta Calabrò, do diário italiano, afirma: "Mas não é o Espírito Santo que escolhe? Uma vez perguntei isso ao então cardeal Ratzinger. Com certa ironia, ele respondeu: 'Provavelmente a única certeza que ele oferece é que não vai ser tudo um total desastre.'"

 

 

Escrito por marcelosl64 às 12h21
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15/03/2013


O PAPA É ARGENTINO

Novo papa é o argentino Jorge Mario Bergoglio: papa Francisco

Arcebispo de Buenos Aires foi eleito no segundo dia do Conclave após 5 votações; Francisco é o primeiro Papa americano

O novo papa da Igreja Católica é o argentino Jorge Mario Bergoglio, 76 anos. Francisco, como ele escolheu ser chamado, apareceu no balcão central da Basílica de São Pedro e, falando em italiano, se dirigiu aos fiéis reunidos na Praça São Pedro. Vestido inteiramente de branco, ele apareceu cerca de 1h20 depois da fumaça branca que anunciou sua escolha.

"Irmãs e irmãos, boa noite. O caminho da Igreja da Roma é o caminho de fraternidade e do amor", foram as primeiras palavras de Bergoglio como papa (leia a íntegra). "Vocês sabem que o dever do Conclave é dar um bispo à Roma, e parece que meu irmãos cardeais foram buscar no fim do mundo", disse na sequência, em referência a seu país. 

 

O anúncio do nome do novo papa foi feito pelo cardeal protodiácono francês Jean-Louis Tauran às 20h14 (16h14). Do balcão da basílica, ele proferiu a tradicional frase Habemus Papam, anunciando na sequência o novo líder da Igreja Católica.

Francisco, alcunha que homenageia São Francisco de Assis - o santo dos pobres - e nunca tinha sido usada, é o primeiro papa sul-americano. Após suas primeiras palavras, ele  pediu uma oração em nome do Papa Emérito Bento XVI e conduziu o "Pai Nosso", reproduzido em coro pela multidão de fiéis.

 

Ele também pediu que os fiéis "sigam um caminho de fraternidade, de amor" e de "evangelização" e pediu à multidão um minuto de silêncio: "Rezem por mim e deem-me a vossa bênção". Em seguida, proferiu a bênção Urbi et Orbi (da cidade para o mundo), encerrando, assim, o protocolo oficial do Conclave papal.

orge Bergoglio, 76 anos, tem origem jesuíta e ficou conhecido por haver sido responsável na América Latina pela redação do documento sobre o segredo de Aparecida. Figura controvertida no cenário argentino, ele se destaca por sua forte personalidade e pelo afrontamento declarado à atual força política do país, o Kirchnerismo.

Bergoglio foi nomeado cardeal em 2001 por João Paulo II e atualmente era o arcebispo da capital argentina. O novo papa não estava entre os principais cotados por especialistas, nem por casas de apostas. 

 

Após quatro votações inconclusivas em pouco menos de 24 horas, a fumaça branca apareceu às 19h05 (15h05, de Brasília) desta quarta-feira ao fim do quinto escrutínio, para a alegria e emoção da multidão reunida. 

 

Entre a fumaça e o anúncio do nome do eleito, o público celebrou e entoou coros de "viva, o Papa". A multidão também reagiu intensamente quando uma banda executou o hino italiano dentro das dependências da praça.

O Conclave
O cerimonial do Conclave papal iniciou na manhã de terça-feira (dia 12), com a realização da missa Pro Eligendo Papa. Na parte da tarde, os 115 cardeais se reuniram na Capela Sistina e prestaram, um por um, juramento de manter segredo durante a duração do processo eleitoral. Em seguida, as portas foram fechadas. Às 19h42 (15h42 de Brasília), a primeira fumaça negra foi expelida, indicando que o primeiro dia acabava sem que um papa fosse escolhido.

Os cardeais retomaram a votação por volta das 9h30 (5h30) desta quarta-feira. Por volta das 11h40 (7h40), a chaminé voltou a expelir fumaça negra, o que significa que um consenso não foi alcançado nas duas votações do turno da manhã. Os cardeais voltaram a se reunir na parte da tarde e acredita-se que um escrutínio tenha ocorrido sem que fumaça alguma fosse expelida. Na última votação do dia, eles chegaram a um consenso.

 

Escrito por marcelosl64 às 18h04
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28/02/2013


PAPA VIGIADO

 

Revista italiana diz que cardeal mandou grampear o Vaticano

CLÓVIS ROSSI
DO ENVIADO ESPECIAL A ROMA

 

A revista "Panorama" informa, no número que começou a circular ontem, que, há um ano, os telefones, e-mails e até encontros mantidos no Vaticano estão sendo grampeados por ordem do cardeal Tarcisio Bertone --secretário de Estado até 20 horas desta quinta-feira (16h em Brasília) e, a partir de então, camerlengo, o gestor interino da igreja na ausência do papa.

O grampeamento, sempre segundo "Panorama", se iniciou em setembro de 2012, "quando começaram a circular as primeiras cartas de ameaça a Bertone e ocorreram os primeiros vazamentos de documentos reservados".

"Panorama" informa que "foi lançada a mais maciça e capilar operação de interceptação jamais realizada até hoje no Sacro Palácio [a residência papal]". Prossegue: "[A operação] continua até hoje, segundo alguns, porque, formalmente, a investigação sobre o Vatileaks não foi concluída".

Trata-se, sempre de acordo com a revista, de "uma colossal vigilância de hábitos, amizades e encontros", cujos resultados "foram entregues em mãos a pouquíssimas pessoas, e que deixam nervosos e preocupados muitos prelados e ameaçam pesar sobre o conclave".

A revista se pergunta se o grampeamento vai continuar durante a chamada "sede vacante", o período em que o Vaticano fica sem chefe, entre a renúncia do papa e a eleição do substituto.

Padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, disse ontem que a informação não tem o menor fundamento, mas a revista, em seu on-line, reafirmou tudo.

ESCÂNDALO

Vatileaks é o nome que o próprio Lombardi deu a um escândalo envolvendo documentos secretos que vazaram do Vaticano e revelam a existência de uma ampla rede de corrupção, nepotismo e favoritismo relacionados com contratos a preços inflados.

O escândalo explodiu em janeiro de 2012, quando o jornalista Gianluigi Nuzzi publicou cartas de Carlo Maria Viganò, responsável pelas licitações no Vaticano, em que ele pedia para não ser transferido por ter exposto uma suposta corrupção que custou a Santa Sé um aumento de milhões nos preços do contrato. Bertone, no entanto, despachou-o para os EUA, como núncio apostólico.

Nos meses seguintes, mais documentos vazaram, revelando uma luta pelo poder no Vaticano. O caso levou à condenação do mordomo do papa, Paolo Gabriele, apontado como a fonte do vazamento, mas Bento 16 o anistiou posteriormente.

 

 

Escrito por marcelosl64 às 19h12
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18/02/2013


JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO (18/02/2013)

TRANSIÇÃO NA IGREJA

Data provável do conclave é 10 de março

Vaticano pode mudar regra que manda observar entre 15 e 20 dias como "sede vacante", o período sem o pontífice

Papa Bento 16, que renunciou, despede-se dos cardeais no dia 28 de fevereiro e embarca para Castel Gandolfo

CLÓVIS ROSSIENVIADO ESPECIAL A ROMA

A mais provável data para o início do conclave que elegerá o sucessor de Bento 16 passou a ser 10 de março.

É o que informa Robert Moynihan, editor de "Inside the Vatican", considerada a mais bem informada revista católica do mundo em assuntos do Vaticano.

A data faz todo o sentido, se se considerar que o padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, adiantara que uma antecipação era viável desde que todos os 117 cardeais eleitores já estivessem em Roma até o fim do mês.

Há muitos motivos para que essa presença maciça ocorra até o dia 28, a data em que o papa se despede dos cardeais e, às 17h (13h em Brasília), toma o helicóptero que o levará a Castel Gandolfo, usualmente a residência de verão dos papas.

Primeiro, começou ontem uma série de meditações diárias, que irão até dia 23, das quais participará o próprio papa. Os especialistas dizem que esses encontros servem para apontar os rumos desejados para a igreja pelo papa e por pelo menos um dos "papabili", Gianfranco Ravasi, que conduz as meditações.

Aliás, "Vatican Insider", boletim do jornal "La Stampa", anunciou ontem que o cardeal Tarcisio Bertone, o segundo na hierarquia do Vaticano, designou Ravasi como seu candidato a papa.

É natural que os cardeais queiram participar de pelo menos parte das meditações.

Segundo e principal ponto: todos os cardeais, eleitores ou não, hão de querer se despedir do papa tanto na cerimônia pública do dia 27, como na particular do dia 28.

Se todos os cardeais estarão em Roma, como parece provável, e se não há, desta vez, a necessidade de observar nove dias de luto pela morte do pontífice, como aconteceu na eleição anterior, o Vaticano pode mudar a regra que manda observar um mínimo de 15 e um máximo de 20 dias como "sede vacante" -ou seja, sem um papa no comando. A "sede vacante" começa dia 28.

O risco da antecipação é abreviar o período de consultas prévias para filtrar os "papabili". Se os cardeais entrarem para o conclave sem algum consenso prévio, a escolha pode se alongar demais -e deixar ainda mais exposta a divisão da igreja

Escrito por marcelosl64 às 11h59
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JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO (18/02/2013)

Inimigo do relativismo, papa deixa uma herança maculada

DAVID GARDNERDO “FINANCIAL TIMES”

A fragilidade do homem de 85 anos que renunciou, por razões de saúde, ao cargo de 265º bispo de Roma não condiz com sua reputação merecida de dogmatismo.

Visto, com razão, como teólogo sutil, este papa em muitos momentos passou a impressão de que seu ponto forte real era o fato de ser estudioso do poder.

Inimigo contumaz do relativismo moral e guerreiro cultural militante, o papa Bento 16 teve um impacto enorme sobre a Igreja Católica, impacto esse que antecede de longe sua permanência relativamente breve no trono de São Pedro.

Bento ocupou com firmeza a linha de continuidade a partir de João Paulo 2º, o papa polonês de quem foi confidente e implementador, governando com centralismo férreo para impor a ortodoxia e reverter o processo de modernização iniciado pelo Concílio Vaticano 2º.

Karol Wojtyla, que emergiu do conclave de cardeais em 1978 como papa João Paulo 2º, fez de Joseph Ratzinger, teólogo bávaro com pouca experiência pastoral, primeiro cardeal e depois chefe da Congregação para a Doutrina da Fé. Esta é a instituição do Vaticano sucessora da Santa Inquisição; seu trabalho consiste em velar pela ortodoxia.

O cardeal Ratzinger investiu contra a Teologia da Libertação, na América Latina, e os teólogos jesuítas na Europa, atacando o feminismo e o homossexualismo e, aparentemente, pensando que os excessos do primeiro teriam levado ao segundo, ao confundir as diferenças entre homens e mulheres.

A rigidez dele e de João Paulo 2º os levou a tentar sufocar as discussões sobre os padres casados e o celibato, a ordenação de mulheres, a contracepção e o aborto.

O cardeal Ratzinger ocupou essa posição por 25 anos, até suceder a João Paulo, em 2005 -tempo mais do que suficiente para moldar as instituições da Igreja Católica, mesmo que não o mundo real dos fiéis católicos, no formato que queria.

A Igreja Católica Romana, com cerca de 1,2 bilhão de seguidores em todo o mundo, é uma força espiritual potente e uma instituição singularmente poderosa.

O papa procurou blindá-la com as certezas doutrinais de um militante clerical.

Houve momentos em que a impressão que se tinha era que ele estava competindo com as certezas inequívocas e aparentemente concentradas do islã.

A guerra do papa Bento contra o relativismo parece ser incapaz de traçar distinções entre os crimes mais hediondos e divergências discutíveis em que a fé discorda da razão -estas, a matéria-prima da teologia. Será que isso agora poderá mudar?

Os eleitores papais são um pouco como o FMI ou o Banco Mundial no fato de terem uma representação desproporcional de europeus, geralmente escolhidos por seu conservadorismo (cerca de um quinto é de italianos, e quase dois quintos são burocratas do Vaticano).

Os cardeais da América Latina, África, Ásia e do Oriente Médio com frequência são mais conservadores, de qualquer modo.

Os papas Bento e João Paulo parecem ter conseguido encher com seus escolhidos o colégio de cardeais que vai eleger o novo papa, mas o absolutismo deles pode acabar por criar mais católicos apenas culturais que os católicos da espécie teologicamente correta que pretendiam.

Escrito por marcelosl64 às 11h51
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17/02/2013


O GLOBO - 17/02/2013

Uma Sé nada Santa

ROMA — O Papa Bento XVI, ao anunciar sua renúncia, provocou um cataclismo no Vaticano. E agora? Seus detratores viram o gesto como a reação de um homem que não teve punho para governar uma Igreja tomada por disputas, carreirismo e escândalos. Mas outros viram um gesto revolucionário. Consciente de seu isolamento, e sentindo o peso da idade, Bento XVI deu o passo impensável para provocar justamente o que buscava: um choque de mudanças na Igreja e na Cúria Romana — o conjunto de órgãos e pessoas que o auxiliam e que, no fundo, governam o Vaticano e a Igreja. Vaticanistas têm apontado o centro de poder da Santa Sé como o palco onde se desenrolou o drama que levou a um desfecho há 600 anos não visto: a abdicação do Pontífice.

 

Salvatore Izzo, especialista em Vaticano da Agência Itália, é um dos que endossam esta tese:

— É certo que um Papa não governa sozinho. E as divisões na Cúria são evidentes, em parte porque ela se tornou ingovernável.

Izzo vê três motivos que, juntos, levaram à renúncia do Papa. Aos 86 anos, Bento XVI alegou que não tem mais força física, de alma e de mente.

— Essa falta de força de alma, numa tradução objetiva, significa que ele não se sentiu suficientemente apoiado (na Cúria) — diz Izzo.

Salvatore Mazza, do jornal católico “Avvenire”, e que conhece Joseph Ratzinger desde 1982, assegura que pesou muito o problema físico.

— O Papa voltou morto da viagem ao México e a Cuba e estava com muito medo da viagem ao Brasil (para a Jornada Mundial da Juventude, em julho, no Rio) — avalia Mazza, que questiona a ideia de que Bento XVI estava isolado após a descoberta de escândalos. — Ele sabia o que tinha que fazer e fez. E no momento da decisão final, um Papa está sempre só.

Rebelião contra o braço direito do Papa

Mazza lembra que, com 25 anos de Cúria, Bento XVI conhecia as disputas e os problemas do Vaticano. O Pontífice encontrou resistências, sustenta o vaticanista, mas um homem que pregava a reforma da Cúria não tinha medo:

— Não vejo um Papa que se demitiu porque foi vencido.

Para Izzo, outro fator pesou forte. Num Vaticano contaminado pelo carreirismo, o Papa enfrentou uma revolta de cardeais contra o homem que escolheu para cuidar do dia a dia da Cúria: Tarcisio Bertone, secretário de Estado e braço direito do Papa quando ele chefiava a Congregação para a Doutrina da Fé. Bertone “é um salesiano que, quando quer fazer algo, vai adiante”, explicou Izzo. Esse jeito de resolver e simplificar as coisas provavelmente criou incidentes e frustrações, por exemplo, em nomeações de bispos ou cardeais.

— Houve revolta contra Bertone, por questões de poder. Durante meses, muitos cardeais foram ao Papa pedir sua substituição. E isso chateou muito o Papa, que confia em Bertone e não via razões objetivas (para substituí-lo).

Nos oito anos de Papado, portanto, dois homens se digladiaram no centro da Cúria: Bertone e Angelo Sodano, seu antecessor na secretaria de Estado. Decano do Colégio dos Cardeais, Sodano recebia as queixas dos cardeais e as levava ao Papa. Com a renúncia de Bento XVI, espera-se uma intensificada batalha de influência: será Sodano quem vai ajudar os cardeais a se prepararem para a votação.

Izzo também vê uma intriga de “dois ou três cardeais, talvez mais” no escândalo VatiLeaks — o roubo de documentos secretos do Vaticano pelo mordomo do Papa, Paolo Gabriele. O grande golpe por trás disso, segundo ele, não era contra o Papa, mas sim contra Bertone.

— Gabriele estava sendo usado por cardeais, e o Papa teria tido um grande desprazer com isso. Para um cardeal, é difícil estar contra um Papa, até por motivos psicológicos. A hostilidade era contra Bertone. Mas o Papa recebeu isso como uma hostilidade contra ele — diz Izzo.

Anunciada a renúncia do Papa, uma espécie de ajuste de contas teria começado. De acordo com o jornal “La Stampa”, o primeiro sinal é a saída de Marco Simeon, responsável pela Rai Vaticano. Protegido de Bertone, Simeon era considerado uma pessoa intocável até a semana passada.

Mas foi a limpeza conduzida pelo Papa após casos de pedofilia que, para Izzo, foi um fator central.

— O Papa foi odiado por tantos… Pelos culpados, mas também pelos que são da velha escola do laxismo (que defende pouco rigor nas punições).

A crise na arquidiocese de Los Angeles por conta de escândalos de pedofilia foi um dos estopins. O Papa nomeou para a arquidiocese José Gómez, que barrou seu antecessor, o cardeal Roger Mahony, de ações públicas, após descobrir que ele escondeu 129 casos de abuso envolvendo padres. Gómez fez a limpeza com o apoio de Bento XVI.

— Isso causou insatisfação entre vários cardeais, porque o direito canônico não prevê esta possibilidade. Um cardeal não pode ser encostado assim, só pelo Papa. É uma das razões pelas quais o Papa acabou isolado.

Mazza, do “Avvenire”, diz que a gestão interna dos escândalos da pedofilia revelou em Bento XVI um Papa revolucionário:

— O Papa não pode exonerar um bispo que acobertou pedófilos. O código só considera que isso pode ser feito por motivo grave contra a confissão da fé. A pedofilia é um ato gravíssimo, mas não é contra o ato da fé. O Papa introduziu mecanismos que levam um bispo a pedir demissão.

Outro vaticanista, Marco Politi, tem uma visão radicalmente oposta. Num artigo de 2012, intitulado “Ratzinger rumo ao crepúsculo”, ele concluiu que o pontificado de Bento XVI vai ser marcado pela estagnação. O Papa falou em reforma da Igreja, “mas não deu respostas concretas”. Está melhor no papel de teólogo e pensador, mas não de um Papa: o peso da Santa Sé na cena mundial “se calou drasticamente”, escreveu Politi.

Escrito por marcelosl64 às 12h12
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O GLOBO - 17/02/2013

BENTO XVI PEDE QUE CATÓLICOS ABANDONEM O EGOISMO

Da sacada de seus aposentos, Papa faz a primeira bênção dominical desde o anúncio de sua renúncia

 

O GLOBO

COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

 

CIDADE DO VATICANO - Na primeira bênção dominical desde o anúncio de sua renúncia, o Papa Bento XVI disse que a Igreja “chama todos os seus membros a abandonarem o orgulho e o egoísmo, e viverem no amor”. A multidão que se aglomerou nesta manhã na Praça de São Pedro gritava “Vida longa ao Papa!", enquanto o Pontífice falava da janela de seus aposentos. O Papa deixará o comando da Igreja Católica no dia 28 de fevereiro.

— A Igreja convoca todos os seus membros a se renovarem, o que envolve uma luta, um combate espiritual, porque o espírito do mal quer nos desviar do caminho em direção a Deus — afirmou.

Diante da multidão, ele disse em espanhol:

— Eu peço que continuem orando por mim e pelo próximo papa.

 

Discursando em italiano, em parte de seu discurso sobre a Quaresma, o Papa falou sobre a dificuldade de tomar decisões importantes.

— Em momentos decisivos da vida, ou melhor, em cada momento da vida, estamos numa encruzilhada: queremos seguir o "eu" ou Deus, o interesse individual ou o bem real, o que é realmente bom? — questionou.

Bento XVI também agradeceu pelas “orações e suporte que foram demonstrados” pelos fiéis e fez votos para que a "contemplação da paixão, morte e ressurreição de Cristo nos ajude a segui-lo mais de perto".

A tradicional oração do Ângelus, e a penúltima cerimônia a ser celebrada por Bento XVI, atraiu neste domingo uma multidão estimada em mais de 50 mil fiéis na Praça São Pedro. A prefeitura de Roma colocou mais trens e ônibus em circulação para atender os fiéis, e está oferecendo transporte gratuito para idosos e deficientes. Chá quente gratuito também está sendo preparado para ajudar a combater o frio desta época do ano.

Às 18h deste domingo no horário de Roma (14h de Brasília) o Papa irá se retirar para a realização de exercícios espirituais que devem durar toda a semana — algo que já estava previsto para o período da Quaresma.

 

Escrito por marcelosl64 às 12h08
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FOLHA DE SÃO PAULO 17/02/2013

CLÓVIS ROSSI

A igreja, o papa e a democracia

A fé pode sobreviver por outros dois milênios e até mais, mas, sem se abrir, o papado perde força

ROMA - Suzana Singer, a competentíssima jornalista e ombudsman desta Folha, cobrou, na quinta-feira, em sua crítica interna: "Falta tentar mensurar o tamanho do poder do papa. Qual a sua real influência fora do mundo clerical?".

Coincidência, Suzana, mas eu vinha pensando nisso desde a segunda-feira em que aFolha me cortou as férias para cobrir a renúncia de Bento 16. Só sinto que minha soberba ainda não tenha chegado ao ponto de achar que posso responder.

Uma única resposta me parece óbvia: só uma instituição muitíssimo poderosa poderia resistir impávida a dois milênios de história, crises, confusões, guerras, paz e tudo o mais, segurando, hoje, 1,2 bilhão de fiéis. A mensagem, a Palavra, é, pois, tremendamente poderosa, ainda mais se se considerar que Cristo é também o eixo de sustentação de milhões mais que preferem outras denominações, e não a católica.

Mesmo as novas igrejas evangélicas, que estão roubando público do velho catolicismo, o fazem vendendo a sua interpretação da palavra de Deus -e o verbo vender vai mesmo sem aspas, que você me entende. Outra coisa, no entanto, é dimensionar "o tamanho do poder do papa". Eu não sei. Talvez nem seja mensurável.

Minha sensação, no entanto, é a de que os papas vêm perdendo apelo contínua e crescentemente. OK, sensações são traiçoeiras, mas já escrevi bastante tempo atrás, em outro espaço desta Folha, que viagens de João Paulo 2º ao Brasil, por exemplo, podem ser um enorme sucesso de público, atos de "pop star", mas seus efeitos desaparecem assim que o papa sobe as escadas do avião para ir-se embora.

Se ele convertesse os não crentes, o número de fiéis subiria no Brasil, em vez de cair, antes e depois das várias visitas do anterior e do atual papa. Por quê? É tema para sociólogos e antropólogos, não para meros repórteres.

A minha sensação -e, repito, sensações são traiçoeiras- é a de que algo tem a ver com democracia, com a arquicitada frase "Roma locuta est, causa finita est", ou seja, com o espírito predominante na hierarquia católica segundo o qual, se Roma falou, não cabe mais discutir questões doutrinárias.

O avanço da ideia das liberdades públicas tornou obsoleto esse "diktat" imperial, erroneamente atribuído a santo Agostinho. O próprio Bento 16 produziu uma frase, na audiência com os párocos de Roma, na quinta-feira, que renega essa verticalidade tão absoluta: "Nós, cristãos, somos todos o corpo vivo de Cristo".

Corpos vivos querem participar, querem ter voz em tudo o que diz respeito às suas vidas e às de suas comunidades. De alguma forma, o Concílio Vaticano 2º, que está completando 50 anos, abriu a igreja para esse caminho, mas ele foi fechado nas décadas seguintes, especialmente com João Paulo 2º e Bento 16.

Resta saber se o Colégio de Cardeais preferirá a inércia de acreditar que o que durou dois milênios durará para sempre do jeito que está ou reabrirá o caminho para que os fiéis deixem de ser súditos e se sintam de fato parte do "corpo vivo de Cristo".

Escrito por marcelosl64 às 11h43
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FOLHA DE SÃO PAULO 17/02/2013

TRANSIÇÃO NA IGREJA

Cardeais brasileiros têm perfil discreto

Geração nomeada nos papados de João Paulo 2º e Bento 16 lida com novos desafios; país perdeu protagonismo

Entre os 5 cardeais brasileiros que irão votar, os 2 mais jovens têm sido lembrados para suceder a Bento 16

FABIANO MAISONNAVEDE SÃO PAULO

 

Com perfil mais discreto do que os seus antecessores, cinco cardeais brasileiros participarão da escolha do novo papa da Igreja Católica, no Vaticano. Desse grupo, os dois mais jovens têm sido lembrados por especialistas para suceder a Bento 16.

"Há uma nova geração na cúpula da Igreja Católica brasileira", afirmou, em entrevista por telefone, o historiador americano Kenneth Serbin, autor do livro "Diálogos na Sombra", sobre as relações entre a igreja e militares durante a ditadura.

"Dom Paulo Evaristo Arns, dom Hélder Câmara, entre outros bispos fortes, foram ordenados numa época de abertura da igreja. Apenas [o cardeal] dom Cláudio Hummes pertence a essa geração anterior. Os bispos mais jovens foram nomeados no papado de João Paulo 2º e Bento 16", diz.

"Mudou a história do mundo, a história do Brasil, e eles lidam com desafios diferentes. Nos anos 1960, ninguém falava de homossexualismo."

Três dos cinco cardeais brasileiros foram nomeados no papado de Bento 16: o arcebispo de São Paulo, dom Odilo Pedro Scherer, 63, em 2007, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Raymundo Damasceno Assis, 76, em 2010, e o ex-arcebispo de Brasília João Braz de Aviz, 65, que ascendeu há cerca de um ano.

Os nomeados sob João Paulo 2º são o arcebispo emérito de Salvador, dom Geraldo Majella Agnelo, 79, e o arcebispo emérito de São Paulo, dom Cláudio Hummes, 78, ambos em 2001.

Mais jovem entre os brasileiros, o gaúcho Scherer tem uma sólida formação acadêmica, que inclui um doutorado em teologia em Roma, e é arcebispo de São Paulo desde abril de 2007, sete meses antes de ascender a cardeal.

No ano passado, Scherer se envolveu em uma polêmica em torno da escolha do novo reitor da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica).

Na condição de grão-chanceler da universidade, função que acumula com a do arcebispado, escolheu a menos votada de uma lista tríplice enviada pelo Conselho Superior da instituição, decisão prevista no regulamento.

"Num mundo que parece esquecer-se de Deus, uma universidade católica tem uma importante função social, também como contribuição para o pluralismo e a liberdade de pensamento. E isso não parece irrelevante para o convívio democrático!", escreveu em artigo na Folha em 7 de dezembro.

A escolha teve forte oposição dentro da PUC. Alunos de direito entraram na Justiça e chegaram a conseguir uma liminar suspendendo a nomeação de Anna Cintra, derrubada dias mais tarde.

Morando no Vaticano, o catarinense Braz de Aviz comanda a importante Congregação para a Vida Sagrada e as Sociedades de Vida Apostólica. Fundada em 1586, é responsável pelo regime e pela disciplina de ordens, congregações religiosas e institutos seculares, entre outras organizações da igreja.

Questionado sobre se é possível classificar os cardeais brasileiros entre conservadores e progressistas, Serbin diz que se trata de uma "divisão artificial".

"Somos nós, historiadores, jornalistas e sociólogos, que criamos essa divisão. Como pude constatar na minha pesquisa, havia progressistas com posições tradicionais e conservadores com posições bem progressistas. Essa divisão não ajuda a traçar um perfil correto do clero atual."

Com relação à importância do Brasil dentro da igreja, Serbin diz que o país perdeu protagonismo: "Nos anos 1960 e 1970, era atuante, criava a Teologia da Libertação e estava à frente da igreja mundial. Hoje não se vê mais essa liderança".

Escrito por marcelosl64 às 11h41
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FOLHA DE SÃO PAULO 17/02/2013

TRANSIÇÃO NA IGREJA

Sacerdote coordena 12 igrejas no Amazonas

Padres recebem auxílio de leigos na condução de paróquias no país

Católicos investem na formação de indígenas como religiosos nas regiões de difícil acesso perto da fronteira

KÁTIA BRASILDE MANAUS

 

Faça chuva ou faça sol, o padre amazonense Geraldo Bendaham, 45, viaja de barco pelo rio Negro ou de carro por vias de terra batida das rodovias para celebrar missas, casamentos ou batizados nas 12 igrejas que coordena em comunidades ribeirinhas da zona rural de Manaus.

Há cerca de quatro anos ele é o único padre da paróquia de Nossa Senhora das Graças, no bairro Colônia Antônio Aleixo, zona sul da cidade. A paróquia tem cerca de 2.000 fiéis ribeirinhos.

Bendaham afirma que chega a celebrar seis missas e que a paróquia precisaria de ao menos dois padres para suprir o deficit atual.

Formado em teologia e comunicação social, o padre estudou dois anos em Roma antes de assumir a paróquia, em 2009. Ele diz que nas igrejas mais distantes só celebra missas duas vezes por mês.

Devido à falta de padres, conta com a assistência de um diácono. Bendaham diz que os ministros leigos, catequistas, também auxiliam na pregação.

"Nós queríamos mais padres. Mas como não tem, a celebração da palavra de Deus é feita pelos diáconos e pelos leigos", diz.

Segundo o bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus, dom Mário Antônio da Silva, 46, em Manaus existem 90 paróquias e cerca de cem padres. A igreja tem cerca de 40 diáconos. Ele afirma que a falta de padres nas igrejas não é uma questão nova.

"Sempre percebemos que há necessidade de mais vocações. Isso não significa que o número seja puro e simplesmente insuficiente. A Igreja sempre fez um apelo. Deus nunca deixa de chamar. Nem sempre o ser humano se dispõe a responder à altura."

FRONTEIRA

Há quatro anos dom Edson Damian, 65, é bispo da Diocese de São Gabriel da Cachoeira (860 km de Manaus), na fronteira com a Colômbia. Segundo ele, das 10 paróquias na região, 7 ficam em locais de difícil acesso, no meio da floresta amazônica.

Sacerdotes são deslocados da cidade para a paróquia de Pari-Cachoeira. Viajam três dias de barco pelo rio Negro e seus afluentes. A diocese tem ao todo 18 padres e tem um deficit de dois sacerdotes.

"As paróquias estão muito distantes uma das outras. Devido ao isolamento, precisaríamos de dois padres em cada paróquia."

Com cerca de 90% da população (cerca de 38 mil pessoas) de São Gabriel formada por índios, dom Damian diz que a Igreja Católica tem investido na formação de indígenas. Dos 18 padres atuais, quatro são índios. Outros sete seminaristas indígenas estão estudando teologia em Manaus.

"Não temos padres suficientes, não temos recursos. Ordenar um padre indígena é um grande bem. Quando se trata de evangelização na cultura indígena, quem vai realizá-la mesmo é o clero local, que conhece a cultura."

Escrito por marcelosl64 às 11h39
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